Sobre me descrever e escrever para você.

12:04


Quantas vezes o que escrevi foi um pedido de socorro através de cartas não endereçadas... Tentativas de causar uma reação e de dizer a alguém, mesmo que indiretamente, que eu precisava de um sinal de que nós ainda éramos importantes, independente da distância, das mágoas e de todos os nossos tropeços.
Talvez seja mania de escritor. Escrever para o outro e ao mesmo tempo para si mesmo é algo comum nos textos de quem escreve e se descreve.

Então percebi que, nestes desabafos e tentativas de causar uma reação, eu consegui o que queria em algumas vezes, extraindo do outro as palavras que ele sempre quis me dizer, solucionando conflitos, resgatando relações ou até mesmo colocando um ponto final entre elas.
Em outras vezes eu não recebi nada além da permanência do silêncio. Não me atrevo a opinar se ele aconteceu por uma falta de preocupação do outro, por medo, orgulho ou qualquer outro sentimento. Sei que nem sempre demonstramos o que está lá dentro de nós e só nós mesmos é que sabemos o motivo de trancarmos a sete chaves algumas partes nossas.

Por isso, depois de tanto me derramar em palavras e me cansar na busca por respostas, eu percebi que não faz sentido interpretar o que não se passa aqui dentro e muito menos precisar "provocar" reações, principalmente quando o meu silêncio acontece porque a quebra não foi uma escolha minha, não foi por um erro ou deslize meu.
Se fosse, eu não teria nenhum problema em deixar o orgulho de lado, me retratar e me desculpar. Aliás, isso seria fundamental para a tranquilidade da minha consciência. Não consigo me esquecer das minhas falhas enquanto eu não faço o possível para repará-las, ainda mais quando elas acontecem com quem é importante para mim.
E sabe, talvez seja isso que aumente ainda mais a força do meu silêncio: fico na espera de que o outro seja igual e que também se retrate, se explique, se desculpe... Só que as pessoas não são iguais e não nos resta nada além de aceitar isso. Mas sabe qual é o problema? Eu também não sou mais igual, não sou mais a mesma.

Desde então, já não consigo esperar por nada que dependa do outro.
Já não me esforço para que ele note a minha saudade, dúvida ou qualquer outro sentimento que eu tenha por ele. Sei que ele é livre para fazer o que quiser e que, se realmente sentir vontade de me procurar, um dia ela será maior que o medo, o orgulho ou qualquer outro motivo que esteja calando-o neste momento.
Se a minha passividade acontece com uma esperança lá no fundo de que um dia ele bata em minha porta, ou se simplesmente desisti e já não acredito mais em sua volta, bem, eu confesso que nem eu mesma sei dizer...

(E, mais uma vez, estou aqui escrevendo sobre mim para você, só que agora sem a pretensão de atingir ou entender, mas apenas de me libertar e ser.)

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