Não fui feita para mares calmos.

20:30


Não sei mais. Me perdi aqui dentro ou me recuso a perceber o inevitável.
Desde o começo as borboletas fugiram do estômago. Não houve paixão ou aquela vontade irremediável de estar perto.
Sempre foi calmaria. No meio de uma insistente incerteza, mas sempre foi.

Às vezes me pergunto o que é o amor e se ele faz parte dessa paz.
Ou será que é só fogo apagado que perdura pela fumaça e as cinzas? Não sei mais. Talvez eu nunca soube...
O que eu sei é que é a leveza ainda é bonita.
Dizem que precisamos encontrar emoção e até um pouco de intensidade em tudo, mas aqui elas não dão as caras.
Mais uma vez eu me deparo com a tranquilidade, a sensatez, o equilíbrio... Mas olha, eu não sei se fui feita para os mares calmos.

Muitas vezes eu sinto falta de me deixar levar por uma onda, pela sede de tempestade de chuva e ventania.
Vai ver eu - que gosto tanto da companhia da razão e das respostas - contraditoriamente sou movida pela falta de lógica, pelo que arrepia a pele e me toca sem nenhum controle lá no íntimo.
E quase sempre dói, mas a dor também me faz enxergar que estou viva, que até o surreal pode ser real lá dentro.

Agora permaneço nas águas calmas e azuis do lago com o fascínio constante pela forte correnteza do rio. Ela já me puxou algumas vezes, mas consegui voltar.
Dessa vez, se ela me puxar, receio que eu não volte mais (ou me encontre de vez).

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