Um pouco mais pedra a cada dia.

06:06


Tem dor que corta. Dilacera.
Tem ferida que não cicatriza, não se recupera.
Tem dias que são sombrios, pesados e amargos. Aí a tristeza me abraça, me sufoca, me envolve.
No começo eu peço para ela se retirar, tomo um gole de vinho e não a convido para ver se ela some. Depois, por conta da sua insistência, eu perco a força e deixo ela ficar.

Então, viramos companheiras de uma relação que não acrescenta, só machuca.
Andamos de mãos dadas com nossas olheiras - que não são frutos de noites mal dormidas, mas talvez resquícios de sono e lágrimas em excesso.
A palidez da pele se destaca no cenário escuro. "É só cansaço", tento convencer a mim mesma.

Quando alguém se aproxima ou enxerga o corte lá de dentro, reajo com choro ou silêncio.
Não sei o que dizer e nem consigo expressar o quão triste eu me sinto.
Nenhuma lógica - nem mesmo para mim, que gosto tanto das explicações racionais - é capaz de me tirar do abismo.
Perdi a fé que um dia tive e a sensação de desamparo tomou conta. Perdi também a esperança, a capacidade de sonhar... Parece que a realidade conseguiu eliminá-las e eu me sentiria estúpida se me enganasse de novo.
"Você está muito pessimista", provavelmente é o que você está pensando... Mas eu me sinto realista. Sinto que meus pés nunca estiveram tão firmes no chão quanto estão agora.
Talvez aquele grande filósofo esteja certo: nós inventamos a felicidade para não encarar a dureza da vida. E eu, que acabei me deparando com toda essa dureza, vou me tornando um pouco mais pedra a cada dia...

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