(Sobre) viver.

07:37


Passei meses em busca de uma oportunidade. Quando ela finalmente apareceu, acreditei com todas as minhas forças que seria boa, não por expectativas, mas por tudo o que foi dito. Não fiz nada além de acreditar nas palavras que ouvi. 
De repente, tudo se mostrou extremamente diferente. 
O que parecia calmo tornou-se agressivo. 
O que parecia seguro tornou-se arriscado. 
O que parecia definido tornou-se imprevisível... E aí, mais uma vez, me deparo com aquelas lágrimas que insistem em cair dos meus olhos. 
Mais uma vez, me deparo com aquela sensação de fraqueza, de fracasso, de cansaço, de incapacidade. 
Mais uma vez, sinto-me sem força e exausta, até mesmo sem vontade alguma de tentar, insistir, acreditar. 
Começar do zero não é fácil, mas sair dele e em tão pouco tempo ter que voltar para trás é realmente cruel. Sinto que esgotei minhas energias, mas, ao contrário do que gostaria, ainda me sinto viva. E essa vida é o que me torna frágil, o que me faz sentir a ferida latejando na carne. É o que me dói, o que me traz angústia... Quando o que eu mais queria era ser indiferente a tudo. 
Não sentir nada, absolutamente nada. 
Fria e vazia. 

É, algumas coisas derrubam a gente pra valer. Eu estava no chão e quando juntei o pouco de coragem e esperança que eu tinha, me levantei. Em poucos minutos, levei um golpe duro e inesperado que me derrubou de novo. 
Olhando a fratura exposta, percebo que desta vez eu não sei quando e nem se conseguirei me levantar. 
A verdade é que eu não me sinto preparada para um mundo que exige sofrimento em troca de sobrevivência, infelicidade em troca de necessidades saciadas. 
Parece impossível viver tranquilamente com o que me faz feliz... E desde então, eu já não sei mais se vale a pena viver quando não posso ter nem ser o que sempre quis.




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