Não se acostume com o que te faz sofrer.

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Dizem que não devemos nos acostumar com o que nos faz sofrer. Será? 
Quando é o seu trabalho que te faz sofrer, te deixa exausto, colecionando horas extras e perdendo até mesmo aquele tempo que deveria ter livre aos finais de semana, também dizem que você deve aguentar, afinal precisa ter um emprego, precisa pagar as contas. 
E desde quando a gente vive somente para se destacar na empresa, enriquecer o currículo e pagar as contas? Infelizmente, muitos se encontram em uma situação de infelicidade por uma questão de sobrevivência, urgência, necessidade. É o caso de quem tem filho pra criar, família pra sustentar e fome pra saciar. 
Eu lamento demais por estas pessoas porque não consigo imaginar os meus dias sendo arrastados pelo cansaço e a tristeza de trabalhar em um lugar que, mesmo deixando a minha conta coberta, não me faz bem. Acho pesado demais se colocar na posição de um workaholic que trabalha durante horas na semana para atingir a plena exaustão e aproveitar o pouco tempo livre que lhe resta apenas para recarregar as energias, descansar, dormir. Isso é aproveitar a vida? Isso é ser feliz? 
É claro que a gente precisa de dinheiro para ter o que comer, para ter o que vestir e para pagar as contas, mas a gente também precisa ter tempo livre para curtir com quem amamos. A gente também precisa ter qualidade de vida, não no sentido de ter uma conta bancária gorda para pagar luxos, mas no sentido de ter momentos para descansar, viajar, ficar com a família, namorar, ler um livro ou sair com os amigos. Fazer o que a gente gosta, o que a gente quer. Desde que eu me dei conta disso, de que nenhum salário paga a minha saúde física e mental (e muito menos a minha felicidade!), parei de escutar conselhos e passei a procurar oportunidades que me valorizem não só como profissional, mas como uma pessoa que também tem muito o que viver fora do escritório. 

E quando é o seu companheiro que já não te deixa mais com frio na barriga, borboletas no estômago e um sorriso no rosto? Algumas pessoas te dirão que "está difícil arrumar uma pessoa bacana, você vai acabar ficando sozinha se terminar com ele". E daí? Temos que ter alguém obrigatoriamente ao nosso lado para eliminar o sentimento de solidão? Será que não percebem que este sentimento já existe quando estamos com quem não nos faz mais feliz? E olha, você pode muito bem aproveitar os seus momentos de “carreira solo” para fazer aquela viagem que ele não queria acompanhá-la, para conhecer aquele bar bacana que a sua amiga recomendou ou até mesmo para ficar de bobeira no sofá assistindo aquele seriado que só você acha graça. 
Afinal, a gente só encontra a felicidade dentro de nós mesmos, independente de termos alguém para segurar a nossa mão ou não. 

A verdade é que nós recusamos o café frio, mas aceitamos relações mornas. Julgamos quem escolhe ganhar menos, mas aceitamos perder o nosso tempo em troca de salário. Como diria Marina Colasanti, “a gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.” 
Por isso, seja lá o que for que estiver te deixando infeliz, busque alternativas. Peça demissão. Termine o namoro. Procure algo novo. Invista naquele sonho que você deixou guardado na gaveta enquanto trabalhava incansavelmente para bancar o sonho de um outro alguém. Mude. Transforme. E, definitivamente NÃO SE ACOSTUME COM O QUE TE FAZ SOFRER.




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