Saudade do que não existe mais (ou nunca existiu).

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"Algumas pessoas entram em nossa vida para se despedirem depois, apenas",
Desde cedo, fui obrigada a aprender a lição. Me apeguei em pessoas que partiram, algumas por escolha própria, outras por escolha do acaso. Sofri em ambos os casos, mesmo tendo a consciência de que, em algum momento, alguém importante poderia não estar mais ao meu lado. Sim, eu sabia que alguns finais são inevitáveis e que as partidas fazem parte da vida. Sei até que às vezes elas acontecem para o nosso bem, já em outras vezes, elas acontecem para que a gente aprenda a se acostumar com a realidade. Mas, quer saber? Das saudades que me doem, as que são sobre o que não existe mais ou nunca existiu, são as que mais me corroem. Talvez seja porque elas me trazem uma dúvida intrigante: eu já não sei dizer se um dia fomos próximos e, de repente, por uma mudança sua ou minha, deixamos de ser, ou se, na verdade, nunca tivemos um laço e tudo não passou de uma encenação. A única certeza que eu tenho é que, por mais que a saudade grite aqui dentro, jamais voltaríamos a ser como éramos (se é que éramos de fato).

Tudo está tão diferente e, ao mesmo tempo, tão indiferente... Já não sei mais nada da sua vida e, quando ouço alguém falar sobre você, sinto que está falando sobre uma desconhecida. Deve ser recíproco, porque eu não sinto vontade de compartilhar minhas dores e alegrias com você... Não seria natural, eu não me sentiria à vontade e talvez até mesmo você se sentiria desconfortável ao me ouvir, pensando que agora eu não passo de uma estranha. É como se eu olhasse a nossa foto de anos atrás e sentisse falta do que estava ali, daquele momento, do sentimento que tínhamos naquele dia... Mas aí, quando olho para a sua foto de hoje, não enxergo a mesma pessoa que tanto admirei há tempos atrás. E sabe, a sensação que tenho quando me olho no espelho é exatamente a mesma: eu já não sou mais aquela que eu era quando amava você. Por isso, sigo aqui com uma saudade que não faz sentido, do que um dia fomos... (e nunca mais poderemos ser).

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