O amor daqui de dentro.

17:20


Já passei por alguns rompimentos e todos foram difíceis no começo. Acho que é inevitável ser assim, porque a gente se acostuma com a presença do outro, mesmo que não o ame mais. E quando ama, acaba sendo difícil porque a gente quer estar junto. 
Ou seja, independente do motivo do término, ele sempre me trazia uma certa tristeza... talvez por essa mania que eu tinha de achar que só valia a pena se durasse muito ou para sempre. Daí o tempo passava e eu sempre pensava que eu havia me tornado mais forte e mais preparada para lidar com uma decepção, que seria mais fácil se acontecesse de novo. 
É bem verdade que a cada fim eu me fortalecia mais, mas também é verdade que preparada para sofrer eu nunca estive. Sei que não existe sofrimento igual e que cada um foi de um jeito, é claro... mas imune a ele nós nunca estaremos, não tem como ser inatingível. 
Lembro que eu cheguei a acreditar que, depois de colocar um ponto final em um relacionamento abusivo, eu finalmente tinha conquistado o auge do meu amor-próprio, que eu finalmente tinha entendido como seguir em frente, depois de tanto mendigar o amor de alguém, me cansar e dar um basta naquela entrega sem sentido - que podia ser tudo, menos amor. 
Hoje, eu vejo que esta experiência foi mesmo válida, porque me fez enxergar que o amor acontece de forma natural, que não exige esforço, que não é unilateral. Até que o tempo passou, a vida quis me testar para ver se eu aprendi a lição e eu conheci uma outra pessoa. Logo eu estava em um envolvimento mais saudável e com uma perspectiva de futuro feliz... até que, de repente, acabou. E acabou daquele jeito que a gente não espera, do jeito que a gente mais teme: com uma decepção daquelas que faz a gente questionar tudo. E o pior é que, conforme os dias passavam, mais verdades dolorosas eu descobria e maior era a minha revolta. Doeu muito e eu achei que desta vez eu não suportaria, que não conseguiria superar... e quer saber? Eu nem sei se "superar" é a melhor palavra para esse tipo de coisa. A verdade é que eu aprendi a lidar, que o tempo foi amenizando a dor, que a vontade deixou de existir quando eu me dei conta de que era alguém que, além de não estar ao meu lado por uma escolha própria, também era alguém que não merecia estar comigo nunca mais. E então eu decidi me afastar de tudo, até mesmo das lembranças... peguei só o aprendizado que tirei daquela história para levar comigo, agradecendo por ela não existir mais. 
E foi assim que eu percebi que é possível se machucar até mesmo com quem a gente mais confia, que a segurança que a gente tem em uma relação pode ser destruída em segundos com palavras ou atitudes e, finalmente, percebi que todos aqueles clichês de que ninguém é de ninguém, que nada é eterno e que tudo muda o tempo todo no mundo, são reais. 
Mas, acima de qualquer coisa, eu percebi que não existe abandono quando a gente tem a si próprio, quando a gente deixa a vontade de seguir em frente ser maior que a ferida, quando a gente encara que nenhuma outra pessoa pode ser dona da nossa felicidade e da nossa vida. 
E aí você pode me perguntar: "então você não vai sofrer mais por alguém?". E eu vou te dizer que eu posso sim sofrer por alguém de novo, e que se isso acontecer, provavelmente eu vou desconfiar mais das pessoas, vou me resguardar mais uma vez e vou até falar que preciso de férias do amor... mas a diferença é que desta vez eu tenho uma certeza que antes eu não tinha: sou plenamente capaz de me reerguer sozinha. Se me faltar amor do lado de fora, sigo com único e eterno amor que me transborda: o daqui de dentro.




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