Dias escuros, cinzentos e melancólicos.

19:37


Me abandonei. Como alguém que desiste e apenas sobrevive. Deixei os dias passarem, torcendo para que eles acabassem logo. Me escondi do mundo, silenciei todos os barulhos, fechei os olhos e mergulhei dentro de mim, mesmo estando tão rasa. 
Se eu me machucasse, não faria diferença. As feridas já estavam ali e elas haviam arrancado de mim toda a força que havia aqui dentro. 
Nada despertava o meu interesse, nem mesmo tudo aquilo que eu sempre gostei tanto. 
A sensação de esgotamento me invadia e o irônico é que eu me sentia completamente vazia. 
Esqueci de tudo o que um dia eu já quis, me perdi de mim. Deixei de lado a vaidade, o cuidado. Não havia nem resquício de uma vontade de fazer todas as coisas que estavam ali, à minha espera, gritando pela minha atenção. 
Mais uma vez, pensei em jogar tudo para o alto, tentando aliviar a dor do nada que me habitava. Mas até para fazer isso a gente precisa de coragem. E coragem era justamente o que me faltava nestes dias tão escuros, cinzentos e melancólicos. 
Sei exatamente o que me paralisou, o que arrancou de mim a esperança, o que levou embora o meu sorriso. Mas sei que a culpa é toda minha por não reagir, por não me revoltar e, principalmente, por não me libertar e me reinventar. 
 A minha vida já não era a mesma e eu precisava deixar de ser a mesma também. Era hora de me encarar, me transformar. E esse processo dói... Mas a dor já fazia parte de mim, de tanto que me deixei abater. Ao menos me transformando, a dor me traria algum ganho. 
E quer saber? As tempestades fazem parte da vida, mas elas se tornam apenas uma noite fria para quem sabe se aquecer com a fé que carrega por si mesmo. E é essa fé que deve nos mover, acima de tudo, mesmo quando deixamos de acreditar em todo o resto deste mundo.




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